sexta-feira, 11 de julho de 2014

Sessão de Treino - Marco Silva (Sporting CP)


O Sporting abriu hoje, pela primeira vez esta temporada, as portas do treino à comunicação social e adeptos, que gerou grande afluência a Alvalade. Foi portanto a primeira aparição no terreno de Marco Silva como treinador do Sporting, conduzindo uma sessão de treino com incidência nos aspectos físicos e táticos (movimentações ofensivas e situações de jogo reduzido). Por não ter estado no local não foi possível estabelecer a duração dos exercícios

FASE DE ATIVAÇÃO


Divisão do grupo de trabalho em três grupos de nove jogadores, incluindo guarda-redes. Foram realizados exercícios de mobilização geral com bola (direccionando passe e dirigindo-se para o respetivo local), velocidade  (escada de treino) e de retorno à calma com o meinho (um treinador por grupo com a função de manter sempre bola no grupo, dois jogadores sempre no meio).



FASE FUNDAMENTAL

Divisão do grupo em dois (13/12), com os guarda-redes a ocuparem a baliza alternadamente no exercício respetivo. Enquanto que um grupo efetuava um exercício de finalização sem oposição a partir de uma circulação tática (aqui sempre 13 jogadores – Cisse só participou neste), o outro desenvolveu manutenção da posse de bola em espaço reduzido, numa situação de 4x4x4.




Bola a  começar no jogador na posição de médio, que colocava no avançado em apoio frontal. Avançado devolve (com deslocamento para zona de finalização – importante temporizar), com o médio a colocar no extremo. Em overlap, entrada do lateral, sendo-lhe colocada a bola para posterior cruzamento e finalização por parte do avançado. Após finalização, passe realizado para a entrada da área onde o médio deverá rematar. Médio passa a avançado, avançado a médio. Mesmo processo para o lado contrário.

Situação de 4x4x4 em espaço reduzido, com treinador a colocar bola sempre que saia. Apelo à rápida recuperação de bola (indicador do que será de esperar em termos de método defensivo no modelo de jogo leonino). Não foi possível perceber se existia alguma zona limite para cada equipa em termos de posse.




Situação de GR+9x9+GR (uma equipa de fora), com joker ofensivo sempre presente (João Mário). Sempre que uma equipa colocava a bola fora, bola a sair do guarda-redes da equipa adversária (preocupação em sair pelos centrais, que mantinham largura – saída de zona preferencial: laterais). No momento sem bola, definição clara do momento de pressão (paralelismo com exercício anterior).


A equipa que não participava no jogo realizou trabalho de equilibrio (utilizando as bolas elásticas) e alongamentos dinânicos (exercícios sempre com bola).

FASE FINAL

Série de alongamentos dirigida pelo preparador físico.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Penalty’s, sorte ou competência (o exemplo costa-riquenho e holandês)?


Os quartos de final do Mundial que ainda decorre ficaram marcados pelo momento que antecedeu a disputa nas grandes penalidades entre a Costa Rica e a Holanda, com o seleccionador holandês a substituir, no último minuto do prolongamento, o até aí guarda-redes Cilenssen por Krul. Atitude desrespeitosa para com Cillensen dizem uns, opção de génio dizem por outros. A meu ver, nem um nem outra. Preparação,  pesquisa e tomada de decisão. Um dos pontos muitas vezes ignorado no futebol atual, considerados por muitos como desperdício de recursos e tempo, mas que no controlo de pequenas variáveis pode mudar o rumo da partida a nosso favor – o scouting. Certamente que o plano de jogo de Van Gaal não passaria por deixar levar o jogo para penalty’s, principalmente tendo em conta o favoritismo da sua equipa. A verdade é que isso aconteceu, o possível “engolir em seco” foi pois uma decisão tomada em função das caracteristicas dos jogadores disponíveis e, porque não, do advesário.

Como realizar scouting em grandes penalidades?


Verdade que em termos de observação de jogo o principal ponto de mira será a forma de jogar da equipa adversária, em momento ofensivo e defensivo, e que as grandes penalidades são acontecimentos pontuais tendo em conta o tempo total de jogo. Porém, em competições que envolvam o possível desempate por grandes penalidades o seu estudo torna-se, a meu ver, necessário e obrigatório. Numa primeira fase, optaria por dividir a baliza em doze zonas (1-6 direia, 7-12 esquerda):


De acordo com as zonas definidas, identificar o máximo de situações possíveis de observar relativamente ao adversário, em situações o mais semelhantes com o jogo possível (situação do resultado, fase da competição, contexto) e determinar um perfil (técnico, tático, psicológico e físico) para cada atleta, seja ele de campo ou guarda-redes (explorar tendências, dados estatísticos como suporte à tomada de decisão).

Tendo em conta a divisão da baliza por zonas, é claramente mais fácil identificar a situação de execução em relação à de defesa. Aliás, muitas vezes a segunda acontece em função da primeira (a explorar no exemplo prático). Van Gaal após o jogo tem uma declaração interessante, em que indica que Krul consegue chegar aos dois postes (no jogo seguinte frente à Argentina foi notória a dificuldade de Cilenssen em defender penalty’s, ao longo da sua carreira em vinte tentativas sofreu o mesmo número de golos). A identificação destas características é igualmente importante no estabelimento do perfil do jogador.

Um dia como “Scouter” de  Van Gaal e Sabella (estudo prático)

A fonte de informação para este estudo foi curta, tem como referência apenas este Mundial (podia ter sido considerada a fase de qualificação e mesmo em termos de clube). A Holanda ia enfrentar a Costa Rica, que tinha eliminado a Grécia precisamente nas grandes penalidades. A equipa sensação do Campeonato do Mundo esteve irrepreensível tanto na execução (total eficácia) como na defesa (Navas foi decisivo). 


A partir da tabela em cima é possível concluir que apenas um jogador manteve a zona/direção de remate, sendo que esse remate foi um dos dois defendidos. Tendo em conta que apenas quatro jogadores executaram novamente a grande penalidade, conclui-se que 25 % manteve a direção (Ruyz). Enquanto no primeiro jogo (Grécia) a relação direita/esquerda (%) esteve em 80/20, contra a Argentina foi 20/80. Na suma dos dois jogos, a distribuição pelos lados é precisamente 50/50.


No que diz respeito ao estudo do guarda-redes (Navas) é indicada a zona para onde se direccionou e entre parenteses a zona onde o adversário colocou a bola. Se no jogo com a Grécia acertou 50 % do lado para onde foi direccionada a bola (25 % de eficácia), contra a Holanda manteve o nível em relação ao local (50 %), mas não foi capaz de deter qualquer remate.  Enquanto no primeiro jogo (Grécia) a relação direita/esquerda (%) esteve em 50/50, contra a Argentina foi 25/85. Na suma dos dois jogos, a distribuição pelos lados é 37,5/62,5.

Passando agora para a equipa técnica argentina, foi tido em conta a observação do jogo Holanda-Costa Rica. 


A partir da tabela em cima é possível concluir que apenas um jogador manteve a zona/direção de remate, sendo que esse remate foi um dos dois defendidos. Tendo em conta que apenas quatro jogadores executaram novamente a grande penalidade, conclui-se que 25 % manteve a direção (Sneijder). Enquanto no primeiro jogo (Costa Rica) a relação direita/esquerda (%) esteve em 75/25, contra a Argentina foi 25/75. Na suma dos dois jogos, a distribuição pelos lados é precisamente 50/50.


No que diz respeito ao estudo dos guarda-redes (Krul e Cillensen) é indicada a zona para onde se direccionaram e entre parenteses a zona onde o adversário colocou a bola. Se no jogo com a Grécia Krul acertou 100 % do lado para onde foi direccionada a bola (40 % de eficácia), contra a Argentina Cillensen baixou o nível em relação ao local (75 %), mas não foi capaz de deter qualquer remate.  Enquanto no primeiro jogo (Grécia) a relação direita/esquerda (%) esteve em 20/80, contra a Argentina foi 75/25. Na suma dos dois jogos, a distribuição pelos lados é 55/45.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Sub-20, a Geração Conquista?


Portugal inicia hoje a sua participação no Mundial Sub-20, a realizar na Turquia entre 21 de Junho e 13 de Julho. Num torneio onde historicamente despontam grandes talentos para o futebol profissional, Portugal é das equipas com melhores desempenhos desde a primeira edição da prova. Além de ser atualmente o vice-campeão mundial (perdeu a final em 2011 frente ao Brasil), a seleção portuguesa conquistou a prova por duas vezes, em 1989 (Paulo Sousa, Fernando Couto, ...) e 1991 (Figo, Rui Costa, João Pinto). Decorrente do não apuramento do Brasil, Portugal apresenta-se na Turquia como um dos grandes favoritos à final da prova.


Geração extremamente talentosa mas (ainda) sem glória

Portugal chega a este Mundial por via do terceiro lugar no Grupo A do Euro 2012 Sub-19, competição onde esta mesma geração desiludiu por completo ao não conseguir o apuramento para as meias-finais. Dos 18 convocados para esse torneio, 13 constam na lista de 21 que vão à Turquia.



Recentemente, e em jeito de preparação para este Mundial, Portugal alcançou o quarto lugar no Torneio de Toulon. Apesar de ter sido uma posição respeitosa, a intranquilidade da equipa nos momentos finais do jogo e a dependência de João Mário foi preocupante. Utilizando a competição para obsevar os jogadores em situação “real” de jogo (e daí alguma irregularidada exibicional e falta de rotinas), Edgar Borges divulgou os convocados uns dias depois do término do torneio, deixando de fora a referência atacante desta geração ao longo de todos os escalões: Betinho.  

O avançado do Sporting apresentou-se em Toulon a um nível muito baixo, transparecia que andava em campo contrariado. Numa primeira fase, foram chamados para avançados Aladje (grande surpresa em Toulon, talvez Edgar Borges não espera-se uma afirmação tão rápida) e Gonçalo Paciência. Porém, este último lesionou-se e o seleccionador chamou... um extremo (Ivan Cavaleiro) para o substituir. De resto, uma convocatória normal e sem grandes surpresas. Talvez não convocasse Dabo (Cancelo é o dono da lateral direita, e tanto Ié como Esgaio podem desempenhar a posição) e incluisse mais uma opção para o ataque (aqui sim, sugeria Ivan Cavaleiro).


Jogar em 4x3x3 com a referência no centro de jogo

Das poucas rotinas observáveis em Toulon, um aspecto saltou à vista: é João Mário que coordena todas as acções de jogo, seja a nível defensivo (quase sempre o primeiro a sair em pressão) ou ofensivo (deve ser o jogador que mais toca na bola durante todo o jogo,  quando a equipa ganha a bola a principal preocupação é colocar em João Mário). Outro fator positivo observado está relacionado com o aproveitamento (ofensivo) dos lances de bola parada, onde Aladje se assume como referência.
José Sá será o guarda-redes titular, foi o que ofereceu mais garantias em Toulon e vem de uma época em que competiu com bastante regularidade.

Na defesa, Cancelo e Kiko são laterais que se envolvem com facilidade nos movimentos ofensivos (mais o benfiquista), fortes no cruzamento e com facilidade de drible. Ilori e Tiago Ferreira são jogadores com caracteristicas distintas, mas que se complementam. Enquanto que o primeiro é forte na saída de bola e na dobra (em ambas as laterais), o portista fica sempre responsável pela marcação ao avançado (se jogar com apenas um), onde a sua capacidade de antecipação e marcação se revelam.

No centro, outra das revelações de Toulon. No Belenenses passou uma época na sombra, chegou à seleção como sombra de Agostinho Cá. Com este a um nível sofrivel, Ricardo Alves aproveitou todos os minutos para se afirmar como trinco desta seleção, emprestando a sua capacidade de física e de passe ao coletivo (estilo muito parecido com Miguel Veloso). Apesar de apresentar na figura dois médios à frente do trinco, João Mário forma muitas vezes uma linha de dois com Ricardo Alves, apenas em movimentos ofensivos. Sobre João Mário, pouco existe a acrescentar. Apenas referir que tem corrigido a sua principal lacuna, a falta de agressividade na recuperação de bola. Responsável pelo “último toque” está Tiago Silva, uma das revelações da II Liga e figura do Belenenses. Muito dotado tecnicamente, aparece com facilidade em zonas de finalização.  

Por último, os atacantes. Bruma é o fantasista, o craque que cria oportunidades e finaliza sozinho.  Esgaio o operário, aquele jogador que apesar de não entrar em loucuras, é extremamente eficaz e cumpridor. Não entram em campo com alas defininidas, mas quando jogaram juntos no Sporting B a equipa rendia mais quando Bruma jogava na esquerda e Esgaio na direita. Aladje é o típico pinheiro, fortissimo nas bolas aéreas (situação muito utilizada nos lançamentos de guarda-redes e defesas, onde ganha a primeira bola em função do posicionamento de Tiago Silva) e limitado com a bola nos pés, situação que insiste em repetir durante o jogo.


Chegar longe não é um objectivo, é uma obrigação

Portugal foi a seleção com mais sorte no sorteio. Além de ter ficado num grupo extremamente acessível (não consumar 9 pontos será uma desilusão), o adversário nos oitavos será o melhor terceiro classificado. Na ronda seguinte, o adversário mais complicado poderá ser a Inglaterra. Só nas meias-finais Portugal poderá encontrar um favorito. Por falar neles, além de Portugal também Espanha (Suso, Delofeu, Jese) e França (Pogba, Kondogbia) se apresentam na Turquia com conjuntos muito fortes. E atenção ao México (Corona).

terça-feira, 7 de maio de 2013

Continua, Professor?


Se há tema que alimenta o dia-a-dia das peças jornalísticas dos jornais desportivos é a renovação (ou não) de Jesualdo Ferreira. Sempre com informações contraditórias (no mesmo dia Record e A Bola apresentavam informações totalmente diferentes) e sem a certeza do que escrevem, a verdade é que este é um dossier muito bem protegido pela direção leonina e pelo próprio treinador. Ou então, será que esta desinformação é sinal de que a própria direção ainda não tomou uma decisão? Não acredito. Por esta altura Bruno Carvalho e Jesualdo Ferreira já sabem qual será o destino do segundo. Realizando uma aposta meramente pessoal, acho que o Professor vai ficar. Porquê?

CONSENSUALIDADE – Jesualdo pegou na equipa em Janeiro e, na relação jogos disputados/pontos possíveis alcançou melhores resultados que os antecessores. Em termos de discurso tem sido realista e convincente, sem meios-termos no que diz e a colocar muitas vezes o dedo na ferida (arbitragens, atuações de jogadores, etc.). Por esta altura, tal como a sondagem realizada pel’O Jogo, a sua continuidade é consensual nas bancadas de Alvalade.


FORMADOR – Nos tempos no Porto Jesualdo trabalhou Quaresma, Lucho, Falcao, Hulk, Lisandro, etc. Em Alvalade não terá dinheiro para escolher “matéria-prima”, terá sim de potencializar os recursos atuais e futuros da formação. Um exemplo do bom trabalho de professor: a dupla Ilori-Rojo. Nos primeiros tempos com Jesualdo o argentino era fortemente contestado (tal como no resto da época), parecia muitas vezes desorientado em campo e pouco concentrado. Ilori nem na equipa B era um nome consensual entre os titulares. Atualmente formam das melhores duplas do campeonato, juntando altura, velocidade, capacidade de saída de bola e, principalmente, potencial. Falei desta dupla porque é o exemplo máximo, mas podia falar de Dier (sem ele a equipa perdeu equilíbrio), Cedric (antes da lesão em clara subida de rendimento), Rinaudo (deixou de ser o trinco todo o terreno para se tornar mais posicional – curiosamente o Sporting deixou de ser surpreendido em contra-ataque) e, claro, Bruma. Este e Carrillo (tem andado na incubadora) serão os que maior gozo dará a Jesualdo modelar.

RISCO – Além de que se não renovar com Jesualdo será alvo de imensas críticas, Bruno Carvalho não pode correr o risco de apostar num treinador que não lhe garanta estabilidade (que palavra interessante). Das duas uma: ou sai Jesualdo e contrata um treinador popular e de reconhecida qualidade (Jesus, Bielsa, …) ou aposta num “novo-Mourinho” (Fonseca, Vitória, …) que estará sempre dependente dos primeiros resultados. A aposta em Jesualdo não garante vitórias, mas certamente maior proteção à estrutura. Até porque a equipa principal não é o principal problema a solucionar.

Posto isto, seria altura de dar a minha opinião. Ainda não a tenho. Se é verdade que melhorou a qualidade individual e coletiva da equipa, a verdade é que se perderam muitos pontos de forma injustificável (em casa, empate com Guimarães e derrota contra Marítimo e fora derrota com o Estoril) e mesmo as últimas vitórias surgiram sempre nos últimos minutos. A sorte procura-se? Sim. O jogo só acaba quando o árbitro apita? Claro! Mas no Sporting idealizado por Bruno Carvalho os jogos não são resolvidos nos descontos, essa atitude dominatória tem de existir durante o jogo todo. Mas há uma coisa que tem de ser dita, o Sporting jogou de igual para igual com Porto e Benfica. E aí não foi por sorte, foi por mérito e trabalho. Uma decisão complicada tendo em vista o futuro do Sporting. Ninguém disse que ser presidente é fácil…

domingo, 28 de abril de 2013

Sporting 2 - 1 Nacional | Rojo resolveu à cabeçada


Numa partida entre duas equipas na luta por um lugar europeu, o Sporting voltou às vitórias para o campeonato batendo o Nacional por 2-1. Novamente com o golo decisivo a surgir nos momentos finais, a equipa verde-e-branca teve em Bruma o seu farol de criatividade, apesar do erro infantil no golo sofrido. Manuel Machado tentou impedir que Rojo e Ilori iniciassem a organização do jogo, mas a liberdade com que André Martins se moveu entre a linha defensiva e média foi decisiva na superioridade leonina. Partida com bons golos acompanhada por uma boa arbitragem, especialmente a nível disciplinar.

Não foi preciso muito tempo de jogo para identificar a principal característica implementada por Jesualdo Ferreira, a facilidade com que o Sporting cria, via laterais, oportunidades de golo. Nos primeiros 5 minutos os leões remataram por três vezes, sendo que, à quarta oportunidade Capel inaugurou o marcador, num toque de arte após jogada criada por Bruma. O Sporting mantinha a tendência ofensiva, com Adrien e Capel a rematarem fora da área, com a bola a sair perto da barra e ao poste, respetivamente. Por volta da meia hora o Nacional chegou pela primeira vez com perigo à baliza de Patrício, com um remate de Mexer a passar junto ao poste. Até ao intervalo o ritmo de jogo baixou, com muito tempo morto para assistências.

Após o regresso dos balneários o Nacional chegou com maior perigo à área adversária, com Rondon (em termos de movimentação, é dos melhores avançados do campeonato português) em destaque. Apesar da primeira oportunidade flagrante ter sido de André Martins (após grande cavalgada de Miguel Lopes), o venezuelano esteve por três vezes perto do golo, sendo que numa delas apenas um corte in extremis de Ilori impediu a fácil finalização. Aos 70 minutos o treinador insular arriscou colocando mais um avançado, aposta que foi logo ganha com Candeias, em zona frontal, a fuzilar autenticamente Patrício. Estava feito o empate e foi o despertar dos jovens leões. Foram 10 minutos finais de enorme intensidade, com o jogo partido e as duas equipas perto de marcar (Sporting por Schaars, Capel e Bruma e Nacional por Rondon). Acabou por ser Rojo, num lance de bola parada, a aproveitar um excelente cruzamento de Bruma e a fazer um bonito golo. Ainda houve tempo para a expulsão, por palavras, de Bruno Moreira. Em suma, o Sporting mantem o sonho europeu vivo (está a dois pontos, que na prática são três por perder no confronto direto com Estoril, Rio Ave e Marítimo) e o Nacional está praticamente fora do mesmo objectivo.

DESTAQUES SPORTING:


MVP: Capel
Patrício seguro nas bolas paradas. Miguel Lopes e Joãozinho com exibições simétricas (o primeiro bem a atacar, mal a defender e o segundo o contrário). Ilori bem a dobrar Rojo, que despejou muitas bolas. Rinaudo limitou-se a recuperar bolas, com Adrien pouco em jogo e André Martins a assumir o jogo ofensivo. Bruma enquanto teve pernas criou inúmeros desiquilibrios, Capel foi eficaz e Wolfswinkel foi mal servido. Schaars deu tranquilidade à equipa, Viola esticou o jogo e Labyad esteve desastrado.


DESTAQUES NACIONAL:


MVP: Candeias
Gottardi defendeu o que conseguiu. Marçal deu profundidade, já Claudemir sentiu enormes dificuldades perante Bruma. Mexer e Moreno competentes a retirar espaço a Wolfswinkel, algo desatentos nas bolas paradas. Ghazal deu muito espaço a André Martins, Jota fez muitas faltas e Barcellos passou completamente ao lado do jogo. Mateus muito móvel, Candeias rematador e Rondon irrequieto. Campos e Miguel Rodrigues pouco acrescentaram, Bruno Moreira infeliz.


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Radar (Equipa): Fenerbahçe




Clube


Fundação: 1907
Palmarés: 18 campeonatos, 8 supertaças e 5 taças da Turquia
Último título: Taça da Turquia, em 2011/2012
Estádio: Ojukru Saracoglu, Istambul
Ranking UEFA: 51
Melhor prestação europeia: Quartos-Final da Liga dos Campões, em 2007/2008
Percurso na competição: Marselha, Borussia M’Gladbach e AEL Limassol (Fase de Grupos), Bate Borisov (1/16), Vitoria Plzen (1/8), Lázio (1/4)


Dentro do Jogo

Disposição tática:



4x3x3 com duplo pivot defensivo

4x5x1 em momento defensivo

3x4x3 em momento ofensivo





Organização defensiva:

Uma linha mais atrasada formada por quatro jogadores (centrais + laterais), seguida de outra constituída por cinco elementos (médios + extremos). Pouca pressão no portador da bola na zona central, mesmo que em superioridade numérica (muito espaço para a meia distância). O jogador mais adiantado do meio-campo (Cristian Baroni) é o primeiro a sair ao portador da bola. Em zonas laterais a pressão é maior, apesar de não ser sempre o extremo da equipa turca a acompanhar o lateral contrário, em especial Kuyt. É raro ver o holandês a desgastar-se na organização defensiva, ocupando muitas vezes o espaço central com Meireles a ajudar o respetivo lateral do corredor de Kuyt. Em momentos de transição, em que Meireles não consegue dar o devido apoio por ainda estar a recuperar, é recorrente ver situações de 1x2 (Ziegler em inferioridade).

Em termos de bola parada, defesa à zona com sete jogadores na linha da pequena área, com mais dois jogadores à entrada da área. Apenas o avançado fica na linha de meio-campo.





Organização ofensiva:

Equipa com tendência a sair a jogar pelos centrais, que conta com a descida de um médio para iniciar a construção. Quase sempre Meireles a assumir a posse de bola.






Formada a linha de três, os laterais sobem e formam uma linha de quatro com os médios restantes. Contudo, quando um dos extremos vem ao interior procurar a bola o respetivo lateral passa a ocupar a posição mais adiantada, criando o desiquilíbrio (acontece mais pelo lado esquerdo).



Em zonas de finalização, sem o habitual extremo-esquerdo disponível para jogar a primeira mão, Moussa Sow deve derivar para a faixa esquerda com Webo a assumir a titularidade. Boa notícia para o Benfica. Apesar de ser possante e muito móvel, é constantemente apanhado em fora-de-jogo e é bastante limitado a nível técnico.

Nas bolas paradas o Fenerbahçe coloca normalmente seis homens dentro da área (dois em zonas mais exteriores, três na zona onde caí a bola e um a sair da zona do guarda-redes) e um à espera da ressaca (no caso da imagem, não existe).

domingo, 21 de abril de 2013

Benfica 2 – 0 Sporting | Águia pragmática vence o jovem Leão


A quatro jornadas do fim o Benfica é praticamente campeão. Num dos desafios mais complicados até ao término do campeonato, os encarnados deixaram o brilhantismo de lado (apesar do golo) e abordaram a partida sem correr muitos riscos, muito por força da disposição tática montada por Jesualdo. Dier e Rinaudo anularam a construção ofensiva de Matic e Enzo, sendo que os golos resultaram do mau posicionamento defensivo do Sporting e do génio de Gaitan. Apesar da diferença pontual, jogo muito interessante entre duas equipas a jogar para ganhar. Arbitragem não acompanhou o espetáculo.

Jorge Jesus afirma que o 4x3x3 é o sistema mais fácil de anular, mas hoje não foi um bom dia para demonstrar essa tese. Com o meio campo leonino bem povoado (dois médios de marcação – Rinaudo e Dier – e um com liberdade à frente desses dois – André Martins) o Benfica foi obrigado a explorar novos terrenos de desiquilibrio, as laterais, de onde resultaram os dois golos. Os primeiros 30 minutos foram de total domínio do Sporting que, com pressão alta, não deixava o Benfica organizar o seu jogo. Wolfswinkel (num lance que até sofreu penalty) criou a única situação clara de perigo dos leões, que viram ainda outro penalty claro ser negado por João Capela. Na primeira vez que conseguiu uma troca de bola no meio-campo do Sporting, o Benfica marcou por intermédio de Salvio, que aproveitou da melhor forma a falta de posicionamento de Joãozinho. Até final do primeiro tempo não houve qualquer motivo de interesse, o Sporting foi abaixo com o golo quanto até estava por cima na partida.

Nos segundos 45 minutos o jogo equilibrou, mas foram os leões que criaram as primeiras oportunidades, com Dier numa bola parada a obrigar Artur a apertada defesa e Joãozinho com um cruzamento para a zona entre Artur e Wolfswinkel, que não foi capaz de desviar. Ao minuto 65 Dier teve de sair lesionado e o Sporting não mais de reencontrou. O Benfica passou a controlar o jogo, começou a criar desiquilibrios por zonas mais centrais e foi aí, que após um mau alívio da defesa leonina, Gaitan ganhou a bola e seguiu para o lance da noite. Fintou, passou, voltou a fintar e, de primeira, cruzou para Lima que, também de primeira, marcou o segundo da noite. Até final o Benfica baixou o ritmo de jogo, mas mesmo assim viu o Sporting criar perigo junto da sua baliza (nova grande penalidade sobre Viola, placado por Luisão).


DESTAQUES BENFICA:

MVP: Gaitan
Luisão esteve muito seguro na defesa, ganhou praticamente todos os lances de bola parada. Melgarejo e Maxi arriscaram pouco em termos ofensivos, com o paraguaio a sentir bastantes dificuldades para travar Bruma no primeiro tempo. Matic foi hoje “apenas” recuperador de bolas, compensado as alturas em que os extremos não desciam. Gaitan cheio de confiança, no drible e no passe (não esteve desconcentrado como em outras ocasiões). Cardozo foi anulado. Lima mais uma vez muito importante no transporte de bola.



DESTAQUES SPORTING

MVP: André Martins
Ilori e Rojo com prestações semelhantes, não acusaram a pressão e decidiram quase sempre bem, anulando a dupla-atacante do Benfica (Lima marca com Boulahrouz em campo). Miguel Lopes e Joãozinho esclarecidos ofensivamente mas a conceder muito espaço a Gaitan e Salvio. Dier importantíssimo no apoio a Rinaudo. André Martins ao seu melhor nível, quer a nível de passe ou recuperação. Capel novamente apagado (em jogos “grandes” nunca aparece). Bruma durou 45 minutos. Wolfswinkel esforçado.