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domingo, 21 de abril de 2013

Benfica 2 – 0 Sporting | Águia pragmática vence o jovem Leão


A quatro jornadas do fim o Benfica é praticamente campeão. Num dos desafios mais complicados até ao término do campeonato, os encarnados deixaram o brilhantismo de lado (apesar do golo) e abordaram a partida sem correr muitos riscos, muito por força da disposição tática montada por Jesualdo. Dier e Rinaudo anularam a construção ofensiva de Matic e Enzo, sendo que os golos resultaram do mau posicionamento defensivo do Sporting e do génio de Gaitan. Apesar da diferença pontual, jogo muito interessante entre duas equipas a jogar para ganhar. Arbitragem não acompanhou o espetáculo.

Jorge Jesus afirma que o 4x3x3 é o sistema mais fácil de anular, mas hoje não foi um bom dia para demonstrar essa tese. Com o meio campo leonino bem povoado (dois médios de marcação – Rinaudo e Dier – e um com liberdade à frente desses dois – André Martins) o Benfica foi obrigado a explorar novos terrenos de desiquilibrio, as laterais, de onde resultaram os dois golos. Os primeiros 30 minutos foram de total domínio do Sporting que, com pressão alta, não deixava o Benfica organizar o seu jogo. Wolfswinkel (num lance que até sofreu penalty) criou a única situação clara de perigo dos leões, que viram ainda outro penalty claro ser negado por João Capela. Na primeira vez que conseguiu uma troca de bola no meio-campo do Sporting, o Benfica marcou por intermédio de Salvio, que aproveitou da melhor forma a falta de posicionamento de Joãozinho. Até final do primeiro tempo não houve qualquer motivo de interesse, o Sporting foi abaixo com o golo quanto até estava por cima na partida.

Nos segundos 45 minutos o jogo equilibrou, mas foram os leões que criaram as primeiras oportunidades, com Dier numa bola parada a obrigar Artur a apertada defesa e Joãozinho com um cruzamento para a zona entre Artur e Wolfswinkel, que não foi capaz de desviar. Ao minuto 65 Dier teve de sair lesionado e o Sporting não mais de reencontrou. O Benfica passou a controlar o jogo, começou a criar desiquilibrios por zonas mais centrais e foi aí, que após um mau alívio da defesa leonina, Gaitan ganhou a bola e seguiu para o lance da noite. Fintou, passou, voltou a fintar e, de primeira, cruzou para Lima que, também de primeira, marcou o segundo da noite. Até final o Benfica baixou o ritmo de jogo, mas mesmo assim viu o Sporting criar perigo junto da sua baliza (nova grande penalidade sobre Viola, placado por Luisão).


DESTAQUES BENFICA:

MVP: Gaitan
Luisão esteve muito seguro na defesa, ganhou praticamente todos os lances de bola parada. Melgarejo e Maxi arriscaram pouco em termos ofensivos, com o paraguaio a sentir bastantes dificuldades para travar Bruma no primeiro tempo. Matic foi hoje “apenas” recuperador de bolas, compensado as alturas em que os extremos não desciam. Gaitan cheio de confiança, no drible e no passe (não esteve desconcentrado como em outras ocasiões). Cardozo foi anulado. Lima mais uma vez muito importante no transporte de bola.



DESTAQUES SPORTING

MVP: André Martins
Ilori e Rojo com prestações semelhantes, não acusaram a pressão e decidiram quase sempre bem, anulando a dupla-atacante do Benfica (Lima marca com Boulahrouz em campo). Miguel Lopes e Joãozinho esclarecidos ofensivamente mas a conceder muito espaço a Gaitan e Salvio. Dier importantíssimo no apoio a Rinaudo. André Martins ao seu melhor nível, quer a nível de passe ou recuperação. Capel novamente apagado (em jogos “grandes” nunca aparece). Bruma durou 45 minutos. Wolfswinkel esforçado.

segunda-feira, 18 de março de 2013

História nas mãos de Jesus


Podia ser o sumário de uma catequese, mas o título não se refere a nada religioso. Quer dizer, para muitos adeptos estamos perante um profeta, alguém que irá mudar o rumo do seu clube. De facto, penso que se aproxima algo histórico no futebol português. O profeta chama-se Jorge Jesus, o clube é o Benfica.

Conquistando a Liga Portuguesa (tem um calendário bastante favorável em comparação com o Porto, além de que é motivante poder ir ao Dragão perder e continuar na liderança), a Taça de Portugal (só algo sobrenatural impedirá a sua conquista) e a Liga Europa (a par do Tottenham e Chelsea, que são equipas bastantes irregulares, o Benfica é o principal favorito), Jorge Jesus será o primeiro treinador da história do clube a ganhar as três competições na mesma época. Tudo depende dele. Não marca golos nem os impede, mas a sua gestão, ou seja, a forma como vai preparar táctica e emocionalmente as partidas será essencial para que os encarnados ganhem. E o que terá de ter em atenção?

1º GESTÃO DO PLANTEL: O ponto básico. Manter a frescura de alguns elementos será determinante para que a equipa não perca equilíbrio e competitividade. Artur, Garay, Luisão, Matic, Salvio e Cardozo são a coluna vertebral desta equipa, mas aposto em Lima como o joker desta fase final da temporada. Nem sempre será titular, mas é o tipo de jogador que em qualquer condição (sozinho ou acompanhado na frente, servido de costas ou de frente para a baliza, etc.) resolve um jogo. Destaco mais um jogador, Matic. Rezem os benfiquistas para que não se lesione nem seja suspenso (atualmente tem cinco amarelos na Liga, já com castigo cumprido), todo o esquema ofensivo tem Matic como farol, quando não jogou o Benfica jogou muito mal.

2º MANTER MOTIVAÇÃO: Manter todos os jogadores motivados, sem “birras” por não jogarem, e fazê-los entender que o cumprimento dos objectivos coletivos também os valorizará individualmente. Utilizar os jogos da Taça e outros “resolvidos” para lhes dar minutos e sentirem-se parte da equipa.

3º RELAÇÃO COM OS ADEPTOS: Utilizar conferências de imprensa e flash interview para passar um discurso populists (nisso Jesus é bom), juntar os adeptos em torno do clube, fazê-los encher o estádio e acreditar que é possível ganhar tudo! Será importante capitalizar as redes sociais e utilizar vídeos motivacionais, algo que o adepto apaixonado adora. Importante não criar atritos com o rival (JJ vs VP), será muito mais importante concentrar atenções na própria equipa.

Consiga Jorge Jesus controlar estas variáveis e Maio será um mês encarnado. Porém, não deixa de ser irónica que, por trás disto tudo, se jogue uma renovação…